Os pastoris dos anos sessenta
Nos anos sessenta, uma das primeiras famílias a adotar Gravatá como cidade turística, foi a família do Dr. Amadeu Avelar e sua esposa Lúcia Avelar.
Vindos da cidade do Recife, se instalaram em um dos mais belos casarões de nossa cidade, na Avenida Joaquim Didier, chamando a atenção do pacato povo gravataense.
Era uma família composta pelo casal e mais oito filhos, sendo cinco mocinhas e três meninos.
Foi uma grande novidade em nossa terra. Criou um imenso lampejo na alma da população. Apesar de aparecerem por aqui, durante as férias escolares, não tardaram a fazer amizade com várias famílias do local onde moravam. Principalmente, do pessoal da redondeza, que eram as famílias de Dona Amenaíde e Mariinha Farias e do Sr. Antônio de Freitas.
Mas algo de extrema importância estava para acontecer, foi quando as mocinhas do casarão tiveram uma idéia que revolucionou e abrilhantou a nossa cidade: a criação de um belíssimo pastoril! Pastoril esse, que apresentou uma inovação total, pois trouxeram novas músicas e danças que realmente proporcionavam um destaque especial ao gênero.
Era algo inusitado! O guarda-roupa, impecável, os adornos, as personagens, tudo formava uma sintonia perfeita e reunia um público imenso onde a satisfação e os aplausos se faziam presentes.
O pastoril era composto pelas cinco garotas recifenses e demais crianças e mocinhas de nossa sociedade. Meninas lindas, muito bem arrumadas davam asas às fantasias das crianças e jovens dessa época. Muitas garotas queriam dançar, fazer parte desse maravilhoso mundo mágico que deslumbrava a todos.
Foram muitas as apresentações. A primeira foi no próprio terraço do casarão. Uma noite inesquecível que ficou na memória de quem teve o privilégio de assistir... E não ficou por aí, se apresentaram em cima de palcos armados na Avenida Joaquim Didier, na Praça da Matriz, e para um público selecionado, no Clube XV de novembro.
Todos queriam ver os trajetos e trejeitos mimosos das garotas dançando. Impressionava a dança e o canto da linda Cigana, da Estrela-d’alva, da Mestra e Contra-Mestra, da Diana, sem esquecer as preciosas Borboletinhas e as demais Pastorinhas...
Foi um tempo de glória, de grandes festejos e muita participação do público gravataense. O Natal se tornava bem mais bonito e todos queriam assistir às belíssimas apresentações desse notável pastoril!
Hoje o casarão abriga apenas o silêncio...
Os jovens estudantes, os adultos, as crianças que passam sorrateiros, jamais imaginam que ali já foi palco de tantas emoções, tantas vozes juntas num coreto de sonoridade que tocavam e encantavam o coração de muita gente!
Mesmo assim, esse silêncio não consegue apagar as marcas de um passado que jamais se apagarão da memória de todos que viveram, efusivamente, essa época tão brilhante e memorável nessa linda cidade de Gravatá!
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)